quinta, 31 de maio de 2018 - 13:54h - 5067
Boas práticas de manejo animal abre as discussões sobre melhoramento da bubalinocultura
Pesquisadores apresentaram técnicas usadas no Pará e que podem ser adotas pelos pecuaristas amapaenses.
Por: Ailton Leite
Foto: Maksuel Martins/Secom
Para falar sobre o tema, foram convidados pesquisadores da Embrapa Amapá e Pará, especialistas da Ufra e pecuaristas paraenses

A mesa redonda Boas Práticas de Manejo Animal abriu a programação de palestras e oficinas que serão ofertadas dentro da programação da 1ª ExpoBúfalo, evento que o governo do Estado realiza no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá. Com a certificação “livre de febre aftosa com vacinação”, o Amapá, que possui o segundo maior rebanho bubalino do país, vive a expectativa de aumentar a cadeia produtiva de búfalos. Por isso, a discussão sobre as formas de reprodução deste animal passa ter foco central.

Para falar sobre o tema, foram convidados pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do Amapá e do Pará, além de especialistas da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e pecuaristas paraenses. Eles debateram com produtores do Amapá as técnicas de manejo sanitário, nutritivo e produtivo.

O pesquisador da Embrapa Amapá, Daniel Montagner, explicou que a eficiência reprodutiva do búfalo está diretamente ligada ao peso do animal. Essa condição corporal possui um índice avaliativo, que varia de 0 a 5 – onde a nota mínima significa que está muito magro, e 5 que está muito gordo. “O ideal é que o animal esteja entre 3 e 4, nesta classificação”, completou o pesquisador.

Montagner apresentou uma tabela de desempenho, para identificação da vida do animal que demonstra a pesagem do búfalo desde o nascimento dele. A nutrição também foi debatida e, teve como palestrante, o zootecnista e professor da Ufra, Cristian Faturi, que falou da importância da alimentação.

O Amapá é conhecido por ter gado verde, referência dada por conta de os animais se alimentarem apenas com capim, mas trabalhar a nutrição garante que um animal de porte físico bom para abate e enriquece as vacas para uma melhor qualidade leiteira. Além do mato, o milho e a soja foram apontados pelo especialista como suprimentos que podem favorecer no melhoramento nutricional.

Pesquisador sobre bubalino há 15 anos, o médico veterinário e chefe do núcleo de búfalos da Ufra, Rinaldo Viana, destacou que, os bubalinos, principalmente as vacas, são propícias às doenças infecciosas e que, para evitá-las, é necessário o controle sanitário através de vacinas. Porém, o produtor precisa adotar em sua propriedade, uma gestão de sanidade animal.

Segundo Viana, a adoção de medidas de bioseguridade previne doenças incidentes durante a gestação e infecciosas, como a brucelose e a leptospirose. Ele apresentou ações a serem seguidas pelos pecuaristas. “Primeiro, é preciso monitorar o parto. Para isso, precisa-se adotar piquetes-maternidades, onde a fêmea ficaria isolada para o monitoramento do período de gestação. Em áreas de várzeas, essa medida requer mudança do período de nascimento desses animais, para que nasçam em época mais propicias para um efetivo manejo sanitário”, acrescentou.

Rinaldo Viana também disse que isso é possível de ser feito com a adoção de biotécnicas aplicadas à reprodução, onde se pode desestacionar a búfala e concentrar, para que a parição fique a propiciar a um determinado período. Esse tipo de técnica ajuda a prevenir algumas doenças que ocorrem durante o processo de parição.

O diagnóstico da gestação foi outro ponto apontado pelo especialista como ajuda à prevenção de doenças e enfermidades. “Se a búfala não ficou prenha, houve uma morte embrionária, ela precisa ser ressincronizada”, frisou o chefe do núcleo de búfalos da Ufra. Exames periódicos é o outro passo para ter animais saudáveis.

Atento a tudo, o estudante do 4º ano do curso técnico em agropecuária da Escola Família Agrícola do Pacuí, Fernando Reis, gostou dos procedimentos apresentados. Ele é filho de um pequeno produtor bubalino do município de Cutias.

“Essas novas técnicas são importantes para a melhoria do nosso rebanho”, destacou Fernando Reis.

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Créditos:

Maksuel Martins/Secom

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