quinta, 16 de novembro de 2017 - 13:00h - 566
Crise econômica incide negativamente e PIB do Amapá recua 5,5% em 2015
Mesmo com os recuos, o economista e secretário de Estado Teles observa nas mudanças que afetaram o PIB amapaense impulsionarão indicador já na próxima pesquisa
Por: Elder de Abreu

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na manhã desta quinta-feira, 16, os resultados nacional e por Estado da pesquisa Contas Regionais, sobre o Produto Interno Bruto (PIB) – indicador que mede as riquezas produzidas nos três segmentos econômicos: agorpecuário, indústria, e comércio e serviços. A pesquisa teve 2015 como o ano de referência.

Todos os Estados registraram queda em relação ao estudo anterior, que teve como base dados de 2014. Apesar de ter tido a maior taxa de queda (-5,5%), o Amapá ainda ganhou uma posição no ranking por valor nominal dos PIBs estaduais, passando da 26ª para 25ª colocação, com valor corrente de R$ 13,86 bilhões. Ainda assim, o Amapá continua com uma das menores contribuições para a taxa nacional, apenas 0,2 % de participação no PIB brasileiro.

Análise

Para o economista Antônio Teles Júnior, que é secretário de Estado do Planejamento do Amapá, os números são reflexo direto da crise econômica experimentada no ano de 2015, bem como intervenções implementadas, pela iniciativa privada ou pelo poder público, sobretudo nos setores produtivo e da indústria.

Segundo Teles, a composição da taxa de crescimento negativo amapaense se deve, especificamente, por transformações em atividades econômicas destes dois segmentos.

No setor agropecuário, por exemplo, a silvicultura, capitaneada no Estado pela exportadora Amapá Celulose (Amcel), foi a atividade que mais contribuiu para a baixa, com variação negativa de – 101,59%. O processo de transição de matéria prima para a produção de cavaco (troca da espécie de eucalipto) e o desmoronamento do porto de Santana, em 2013, afetaram as transações comerciais da empresa, que também já deu início à mudança de atividade, migrando para o plantio de soja. O destaque positivo do setor ficou com a produção de cana-de-açucar, que subiu 9,73%.

Conforme o economista, outro fator preponderante na Agropecuária que fez o setor recuar, foi a recontagem feita no rebanho amapaense. No ano anterior relativo às Contas Regionais, o rebanho bovino estava superestimado, em mais de 167 mil animais. Com o avanço implementado pelo governo estadual para alcançar as metas que elevariam o status sanitário da pecuária amapaense para Livre de Aftosa, uma recontagem feita em 2015, mostrou que o rebanho era, na verdade, 46% menor: aproximadamente 89,6 mil cabeças de gado.

Já na indústria, dois eventos merecem ser destacados para explicar a queda do PIB amapaense. O primeiro foi a paralisação das atividades da mineradora Zamin, também em consequência da queda na produção provocada pelo desmoronamento do porto em Santana, que prejudicou o escoamento da produção. O outro motivo é a mudança na matriz energética do estado, também em 2015, quando o Amapá passou a compor do Sistema Interligado Nacional (SIN) e abandonou a produção de energia termoelétrica, cujo óleo diesel usado para sua geração movimentava o setor. Isto provocou uma retração de – 132,31% na atividade de geração de energia.

Mesmo com todos estes recuos, Teles observa nas mudanças que puxaram o PIB amapaense para baixo devem ser as mesmas que impulsionarão indicador já na próxima pesquisa. “Não há como não levar em consideração a maior recessão econômica da história pela qual o Brasil passou e que deixou reflexos já vistos nesta pesquisa. É natural que o Amapá também sinta essa crise. O Amapá até ganhou posição, ultrapassando o Estado do Acre, que possui uma população maior. Lembrando que, nas estimativas para 2017, já há um indicativo de recuperação do PIB”, analisou o secretário.

Fonte

A pesquisa Contas Regionais é feita pelo IBGE, em parceria com os órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo e Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). No Amapá, o os dados são fornecidos pela Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Tesouro (Seplan).

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