terça, 15 de maio de 2018 - 16:52h - 215
Melhoramento genético de mudas eleva produção e reduz perdas no campo
Espécies melhoradas geneticamente são mais resistentes e geram frutos em menos tempo, facilitando a produção e levando mais benefícios ao agricultor.
Por: Henrique Borges
Foto: Henrique Borges
Pesquisador Marcelo Carim coordena o laboratório onde são produzidas as mudas de várias espécies

O Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais do Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) investe, diariamente, em avanços na área da biotecnologia com o melhoramento genético de mudas diversas, entre flores, frutas e ervas. A produção “in vitro” rende em média 15 mil mudas ao ano, que aumentam em 40% a velocidade de produção dos agricultores do Estado.

O trabalho é desenvolvido há cerca de 20 anos no Iepa com a produção de mudas como banana, mandioca, abacaxi, orquídeas, batata-doce, e espécies madeireiras como andiroba, acapu e virola, entre outros. Um dos fatores para as plantas melhoradas geneticamente aperfeiçoarem o setor primário é o tempo entre o cultivo e a colheita, que chega a diminuir em cinco meses.

Uma muda desenvolvida no laboratório e cultivada nas condições adequadas pode gerar de 500 a 800 outras mudas. O pesquisador Marcelo Carim, responsável pelo setor de biotecnologia no Iepa, afirma que a técnica de micropropagação, para obter mudas de diversas espécies, oportuniza o agricultor a multiplicar a produção. “As possibilidades são muitas, o produtor compra uma muda a R$ 2,50 e pode reproduzir centenas de outras mudas a partir dessa. Com mais resistência a pragas, fungos e condições climáticas, essas plantas mudam a vida de pessoas que trabalham no campo”, ressalta Carim.

A aceitação por parte dos produtores é positiva em municípios como Itaubal, Ferreira Gomes, Porto Grande, Laranjal do Jari, Mazagão, Tartarugalzinho e Calçoene. De acordo com Marcelo Carim, a distribuição acontece anualmente, para que o Iepa tenha tempo de fazer o acompanhamento e monitorar o desenvolvimento das mudas nas comunidades. “Temos, nestas plantas melhoradas, muitos benefícios, porém, o produtor precisa ser capacitado para que não haja perdas. Nós fazemos o acompanhamento e damos as orientações necessárias para que a produção dê o retorno esperado pelo agricultor”, explicou o pesquisador.

Nas galerias do laboratório do Iepa são encontradas mudas diversas, entre as categorias existentes na flora. Com o potencial do laboratório, seria possível alcançar uma produção de até 200 mil mudas ao ano, respeitando os ciclos de desenvolvimento das plantas e do solo no Amapá.

Produção em massa

Para que o produtor possa adquirir as mudas, pagando R$ 2,50 em cada, ele deve assinar um Termo de Compra e Venda com o Iepa, tendo que pagar 30% do valor total no ato da compra e 70% após a produção terminada. Segundo Carim, esse preço é mais baixo que o do mercado de outros estados, que chega a R$ 4 por muda.

As informações e orientações sobre a compra dessas mudas podem ser encontradas no setor de botânica, no Iepa do Distrito da Fazendinha, localizado na Rodovia JK. 

Tecnologia “in vitro”

A técnica de cultura de tecidos vegetais, conhecida como “micropropagação in vitro”, consiste na multiplicação de mudas e melhoramento genético delas para utilização na agricultura.

Primeiramente se retira o rizoma (caule) da planta matriz, para a redução a muda. A próxima etapa é a limpeza e armazenamento em um pote com gel nutritivo para criar raízes. Após isso, a muda fica armazenada em um ambiente com luz e umidade controladas, até ficar pronta para ser utilizada e adaptada para as condições climáticas naturais.

Nicho de mercado

O frasco de armazenamento e o gel nutritivo da planta podem ser alterados de diversas formas. Os potes de vidros podem ser decorados e o gel pode sofrer alterações em sua cor, tornando mais atrativa, além da beleza natural da muda.

O pesquisador Marcelo Carim afirma que essa é uma tendência de mercado para presentes e ornamentação. “É possível cultivar uma muda dessa por muito tempo nesse frasco. Isso permite com que esse produto seja utilizado de diversas formas, inclusive, como presentes e ornamentação. Tudo isso sendo produzido pelo próprio agricultor, como uma forma de artesanato para aumento da renda”, concluiu.

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Créditos:

Henrique Borges / Secom

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