quinta, 14 de março de 2019 - 10:26h - 3523
Estado orienta servidoras de saúde sobre como prevenir diversos tipos de violência
Segundo a Delegacia da Mulher, algumas vítimas pedem o arquivamento da denúncia no meio do processo, ponto crucial que pode levar a crimes como o feminicídio.
Por: Jamylle Nogueira
Foto: André Rodrigues/Sesa
Orientações foram repassadas pela Delegacia da Mulher numa parceria com o Hospital de Clínicas Alberto Lima

O Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal) iniciou uma programação especial para servidoras, com destaque para cuidados com a saúde física e emocional, em homenagem ao mês da mulher. Com foco nestes assuntos, nesta quarta-feira, 13, a equipe de humanização do Hcal, em parceria com a Delegacia de Crimes contra a Mulher (DCCM), promoveram a palestra “Contextualizando o Feminicídio no Amapá”, com o intuito de conscientizar as mulheres e assim ensiná-las a prevenir os diversos tipos de violência.

A palestra foi ministrada pela delegada titular da DCCM, Sandra Dantas, na qual destacou que nos últimos três meses foram registradas 1.480 ocorrências de violência doméstica na Delegacia da Mulher. Porém, ainda é comum que no meio do processo, algumas dessas vítimas acabem desistindo e pedindo o arquivamento da denúncia.

“Muitas mulheres chegam com a justificativa de uma possível reconciliação, que muitas vezes não acontece. Essa desistência é um dos pontos cruciais que podem levar ao feminicídio, e a denúncia é a forma de prevenção mais eficaz”, frisa a delegada.

Sandra ainda reforça que todo tipo de violência é crime, não é necessário o homem agredir fisicamente uma mulher para que esse ato seja considerado violência doméstica, pois muitas mulheres sofrem também com agressões verbais, como xingamentos, opressão, calúnia, injuria e difamação.

“Os crimes contra a honra são os mais comuns e, causam nessas mulheres, problemas emocionais sérios, como depressão. Pois, elas sentem-se oprimidas, humilhadas e rejeitadas. Ainda temos uma cultura muito machista e, relacionamentos abusivos, são reflexo disso”, diz Sandra.

De acordo com a delegada, após identificar qualquer tipo de agressão a mulher pode fazer a denúncia diretamente na Delegacia da Mulher; pelo telefone 180, ou pelo aplicativo ‘S.O.S Mulher’, o qual permite cadastrar até cinco números que, em casos de emergência, serão acionados, automaticamente. No aplicativo, também existe um espaço em que as mulheres vítimas de violência, podem contar suas histórias em forma de texto e incentivar outras a denunciarem.

A técnica em enfermagem do Hcal, Cleide dos Santos, que participou da palestra, afirma que o tema foi de grande relevância, pois ela pôde esclarecer muitas dúvidas a respeito do feminicídio, principalmente, com relação ao atendimento de pacientes vítimas de violência doméstica e, as formas que se pode orientá-las a fazer uma denúncia.

“Eu não tinha uma visão de como orientar ou identificar uma mulher vítima de violência doméstica, agora sei que às vezes, uma simples palavra muda tudo. Em muitos casos cometemos a falha de achar que esse trabalho cabe apenas à polícia. Mas, orientar uma vítima a denunciar e procurar as medidas necessárias é um dever de todos que desejam diminuir [os índices] desse crime”, ressalta Cleide.

Programação

A programação faz parte do projeto Cuida Amapá, que tem como objetivo valorizar os servidores através da humanização. A programação encerra nesta quinta-feira, 14, e as servidoras poderão participar de outras palestras com temas sobre acolhimento, atenção à saúde da mulher e da família, além de apresentações culturais, sorteio de prêmios, e distribuição de brindes.

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