terça, 06 de março de 2018 - 16:12h - 2275
Amapá inaugura a quarta escola do Brasil a lecionar disciplinas em português e francês
Trata-se da primeira escola do Macapaba construída pelo Estado e, faz parte dos equipamentos sociais previstos no projeto do conjunto habitacional.
Por: Da Redação .Colaboradores: Paula Monteiro
Foto: Maksuel Martins/Secom
A escola com classes bilíngues é um projeto do Governo do Amapá, realizado em parceria com a Embaixada da França no Brasil

Os estudantes da rede estadual de ensino público ganharam a primeira escola com classes bilíngues do Amapá, nesta terça-feira, 6, com a inauguração da Escola Professora Marly Maria e Souza da Silva, localizada no Conjunto Habitacional Macapaba, zona norte da capital. A escola com classes bilíngues é um projeto do Governo do Amapá, realizado em parceria com a Embaixada da França no Brasil, e busca proporcionar aos estudantes o ensino das disciplinas nas línguas portuguesa e francesa. A instituição é a quarta do país a lecionar em dois idiomas.

A escola faz parte dos equipamentos sociais previstos no projeto do Conjunto Macapaba, que não foram concluídos na gestão passada. Além da escola Marly Maria, o Governo do Amapá entrega, nos próximos dias, a segunda escola de ensino fundamental II e médio Professor Antônio Munhoz Lopes, que atenderá mais 550 alunos. Ainda este ano, o Estado deve entregar uma creche com capacidade para 400 crianças. Somente na educação, com as duas escolas e a creche, o governo investirá aproximadamente R$ 12 milhões.

O evento de inauguração contou com a participação do ministro conselheiro da embaixada francesa, Gilles Pecassou, que atualmente é o responsável pelos os diálogos políticos envolvendo as cooperações transfronteiriças entre a França e o Brasil. “A inauguração dessa escola é um símbolo do que nós podemos fazer em parceria entre o Brasil e a França, especialmente, porque envolve os jovens, que são os atores do amanhã”, destacou o ministro.

Ao entregar a instituição de ensino aos moradores do Macapaba, o governador Waldez Góes ressaltou a importância de estreitar os laços com a o território francês. “Essa é a primeira escola bilíngue do Amapá e que vai trazer um diferencial muito grande para a comunidade. Primeiro na simbologia da relação transfronteiriça e, segundo, na preparação das nossas crianças e jovens para que a gente avance ainda mais, seja na cultura ou economia, na relação com a comunidade francesa”, avaliou.

Para a secretária de Estado da Educação (Seed), Goreth Sousa, a primeira escola bilíngue do Estado representa um marco na educação amapaense. “A escola bilíngue representa um ensino inovador que atende às necessidades dos estudantes e do mundo globalizado. Estamos em festa com essa oportunidade dada às nossas crianças, que terão muito mais chances no futuro mercado de trabalho profissional”, enfatizou.

O Governo do Amapá já apoia e fomenta a difusão da cultura francesa na região, por meio do Centro de Língua e Cultura Francesa Danielle Mitterrand e do Centro Cultural Franco-Amapaense. Para a dona de casa e moradora do conjunto Macapaba, Mônica Gama, 34 anos, esta será mais uma oportunidade para o conhecimento da cultura francesa. Ela reconhece a importância de saber um segundo idioma e a cultura de outros países. Por isso, está animada com o ensino que a filha Ágatha Ferreira, 8 anos, irá receber na escola Marly Maria. “Dar essa oportunidade para os nossos filhos aprenderem outra língua é muito importante e, atende aos nossos anseios de uma escola bonita e preparada para ensinar com qualidade. Adorei a novidade de ser uma escola bilíngue”, declarou.

A escola Marly Maria atenderá 900 estudantes de manhã e de tarde, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental I. Este ano, cerca de 200 estudantes do 1º ano, terão aulas de língua francesa, duas vezes na semana e, ainda, as disciplinas de matemática e ciências lecionadas, também em francês. A escola inicia as atividades com cinco turmas atendidas com o modelo de ensino bilíngue, o qual será expandido gradativamente para todas as séries. As aulas iniciam-se na próxima segunda-feira, 12.

Ensino bilíngue

A metodologia do ensino bilíngue permite que o estudante aprenda dois idiomas no seu dia a dia, na forma falada e escrita, por meio de seminários; trabalhos em grupos; conversas individuais com o professor; recursos didáticos; entre outras atividades pedagógicas desenvolvidas no ambiente escolar. A formação bilíngue visa desenvolver todos os aspectos da língua francesa: gramática, conversação e interpretação o levando o estudante ao pluralismo cultural e à diversidade linguística.

A iniciativa vai capacitar o estudante para que ele domine a língua francesa, desde os 6 anos de idade e, utilize desse conhecimento para o seu desenvolvimento social e crescimento profissional. Especialmente, porque o Amapá faz fronteira com a Guiana Francesa e, desde março de 2017, estão ligados pela Ponte Binacional ao norte do Estado.

Além dos aspectos linguísticos do idioma estrangeiro, os estudantes também aprenderão sobre a cultura francesa estimulando o conhecimento e o respeito a outro modo de ser e de viver. A expectativa é que, no futuro, os estudantes do Amapá possam realizar intercâmbios em países que adotam a língua francesa como idioma oficial. O objetivo é proporcionar uma formação acadêmica, atendendo as competências e habilidades exigidas no mundo globalizado.

Professores preparados

O ensino e a aprendizagem bilíngues deverão ocorrer em situações significativas de uso linguístico e cultural, de forma contextualizada. Para isso, a Seed selecionou professores e gestor escolar com domínio na língua francesa para atuarem nas classes bilíngues.

E, também, o governo do Estado, em parceria com a Embaixada da França, já ofertou curso de formação para professores amapaenses em Paris, capital francesa, e outros em Brasília (DF), ao longo de 2017. A expectativa é ter o maior número possível de profissionais capacitados garantindo, assim, a melhor formação escolar como um todo.

Equipamentos sociais

O Conjunto Habitacional Macapaba teve a sua primeira etapa entregue em 2014, sem os aparelhos sociais previstos no projeto. Junto com as unidades habitacionais, deveriam ter sido entregues, aos moradores, duas escolas de ensino fundamental; uma escola de ensino infantil (creche); um centro integrado de segurança pública; um terminal de transporte público; uma unidade básica de saúde e dois centros de produção. Mas, nada disso aconteceu.

Somente com o apoio da Justiça Federal, a atual gestão conseguiu, junto à empresa construtora e à Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), refazer o sistema de tratamento de água e esgoto que, antes, sequer atendia os moradores da primeira etapa. Foram necessários grandes esforços, para começar a fazer as entregas dos aparelhos sociais e dar mais qualidade de vida e dignidade aos moradores do Macapaba. 

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Créditos:

Maksuel Martins e Marcelo Loureiro/Secom

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