quarta, 06 de fevereiro de 2019 - 14:13h - 1382
Secretaria de Saúde orienta sobre riscos de gravidez na adolescência
Amapá é o 5º estado com um dos maiores índices de gravidez precoce; governo vai intensificar ações socioeducativas para promover conscientização de adolescentes
Por: Jamylle Nogueira
Foto: André Rodrigues/Sesa
Secretário de Saúde, Gastão Calandrini, fará parcerias com outras instituições para intensificar ações socioeducativas

O Amapá é considerado o 5º estado brasileiro com um dos maiores índices de gravidez na adolescência. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), um em cada quatro bebês nascidos são de mães com menos de 19 anos, taxa considerada uma das maiores do Brasil. Enquanto o país registra 0,88% das crianças nascidas de mães com menos de 15 anos, o Amapá tem proporção de 1,37%.

Os últimos registros feitos pelo Hospital da Mulher e Maternidade Mãe Luzia (HMML) apontam que são realizados 2.117 partos - normais e cesáreos -, por ano, em adolescentes com faixa etária de 11 a 19 anos. Esse quantitativo equivale a 16,94% do total de partos realizados, anualmente, na unidade.

"Diante deste cenário, vamos intensificar ações socioeducativas voltadas para a promoção da saúde e proteção de adolescentes, como forma de contribuir para a redução da gravidez não intencional na adolescência", frisou o secretário de Estado da Saúde, Gastão Calandrini.

Foi o caso do Seminário de Prevenção à Gravidez ocorrido neste início de fevereiro, com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas. O seminário ocorreu no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), no Centro de Macapá, no dia 1º de fevereiro (sábado), com a interação entre profissionais de saúde e jovens; nessa mesma data, aproveitando a movimentação e circulação de jovens de 10h às 20h, no Macapá Shopping, foram distribuídos preservativos e cartilhas com orientações sobre a prevenção da gravidez na adolescência.

A programação integrou a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, atendendo às recomendações da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), para que essa iniciativa seja realizada, anualmente, em todos os estados brasileiros.

Entre os temas debatidos no seminário estavam o direito de querer gerar um filho; as responsabilidades que cabem, não somente à mulher, como também ao homem; os riscos psicossociais e as maneiras certas de prevenir, tanto a gravidez precoce, como Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Riscos

A responsável técnica pela Saúde do Adolescente e Jovem da Sesa, Gardênia Menezes, compartilhou alguns riscos da gravidez na adolescência durante o evento no auditório do Senac. Ela considerou necessária uma reestruturação na forma de conscientizar o adolescente, buscando saber quais são seus direitos, suas vontades e, assim, mostrar a sua responsabilidade de gerar um filho e todos os riscos que envolvem, não só a saúde física, como a emocional.

“Não cabe a nós profissionais da saúde e educação proibir as pessoas de gerar um filho na adolescência, pois todos têm o direito de decidir se querem ou não se tornar pais ou mães, nessa fase da vida. Porém nós podemos orientar sobre os riscos e responsabilidades que uma pessoa assume, quando coloca uma criança no mundo", destaca Gardênia.

Menezes alerta que mães adolescentes entre 11 e 14 anos desenvolvem uma série de riscos obstétricos, uma vez que o corpo ainda não possui uma estrutura adequada para gerar uma criança. E isso pode trazer danos para a saúde da mãe e do bebê como prematuridade, desnutrição, infecções, aborto espontâneo, entre outros fatores.

"Já as meninas de 15 a 19 anos apresentam problemas como uma mulher adulta. E, nessa faixa etária, os riscos à saúde são menores. Porém ainda há questões como a prática de abortos clandestinos que podem trazer para essas adolescentes sérios problemas de saúde, podendo levar a óbito", adverte Gardênia Menezes.

Além de problemas de saúde, a coordenadora também destaca o alto índice de evasão escolar, porque, ao se encontrarem na condição de pai e mãe, muitos adolescentes param de estudar ou começam a registrar baixo rendimento por não conseguirem conciliar as responsabilidades escolares com a criação de um filho.

"Mesmo que por direito a adolescente grávida, a partir de oito meses possa realizar trabalhos e avaliações escolares, em casa, podendo esse prazo ser estendido até seis meses após o nascimento do bebê, a evasão escolar ainda é muito frequente. Isso porque os pais adolescentes nem sempre conseguem conciliar a vida pessoal com a vida escolar e acabam deixando os estudos para o segundo plano, ao terem que trabalhar e manter essa nova família", avalia a responsável técnica da Secretaria de Saúde.

Gravidez precoce

Jéssica Albuquerque, 19 anos, foi uma das participantes do Seminário de Prevenção à Gravidez, no bairro do Trem. Atualmente ela tem dois filhos e foi mãe, pela primeira vez, aos 17 anos. A jovem descreveu que ser mãe adolescente é uma tarefa nada fácil.

"Eu terminei meus estudos no ensino médio com muito esforço. E tive que adiar minha entrada na faculdade, para dar atenção maior aos meus filhos, que hoje são minha prioridade. É muito difícil ser uma mãe tão jovem, pois deixamos de fazer muitas coisas porque o nível de responsabilidade é altíssimo", testifica Jéssica.

A jovem ainda sonha em fazer faculdade de direito e ressalta a importância de se prevenir durante a adolescência e sempre procurar a ajuda de familiares, profissionais da saúde para que a maternidade precoce seja evitada. “Sou grata a Deus pela vida dos meus filhos, mas amadurecer cedo demais não é fácil para ninguém. Hoje estou casada pela segunda vez, mas sempre tive apoio do pai de meus filhos. Imagine as que não têm esse apoio”, compara.

Enquanto não consegue uma graduação, Jéssica concilia suas tarefas de mãe, com as atividades formativas do Programa Amapá Jovem, política pública do Governo do Amapá para capacitar a juventude a ser inserida no mercado de trabalho, promovendo também ações de cidadania.

Cronograma de atividades                  

A partir deste Seminário, haverá uma série de ações que serão desenvolvidas pela Sesa, em conjunto com outras instituições, com o objetivo de trazer, cada vez mais, debates sobre a conscientização à gravidez na adolescência de maneira dinâmica e interativa.

"Está no nosso planejamento, por exemplo, levar esse tema para os socioeducandos da Fcria [Fundação da Criança e do Adolescente] e, também, promover um seminário para profissionais da saúde e educação, com o intuito de fortalecer essa iniciativa", adianta a responsável técnica pela Saúde do Adolescente e Jovem da Sesa, Gardênia Menezes.

Para manter um diálogo diretamente com o público-alvo, a Sesa fez uma parceria com a Secretaria Extraordinária de Políticas para a Juventude (Sejuv), que colaborou com o Seminário de Prevenção à Gravidez, garantindo a participação de 400 participantes do Programa Amapá Jovem, entre monitores e bolsistas de Macapá e Santana. Assim como, a parceria de profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) do município de Macapá.

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Créditos:

André Rodrigues/Sesa

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