quinta, 07 de novembro de 2019 - 19:53h - 552
'As pessoas não deixam de ser pessoas por conta da deficiência, diz professor em workshop
Evento visa melhorar o acesso às políticas de saúde sexual e prevenção, ouvindo profissionais, comunidade e, principalmente, pessoas com deficiência.
Por: Júlio Miragaia
Foto: Carlos Cardozo
Workshop contou com profissionais, comunidade e, principalmente, pessoas com deficiência

Melhorar o acesso às políticas de saúde sexual e prevenção, ouvindo profissionais, comunidade e, principalmente, pessoas com deficiência é o que busca um workshop promovido pelo Governo do Amapá, que iniciou nesta quinta-feira, 7.

Aberta à sociedade em geral, a atividade é realizada pela Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), na Universidade Estadual do Amapá (Ueap).

Dentro da programação, que segue até sexta-feira, 8, os participantes elaboram propostas para o segmento social a partir do compartilhamento de experiências vividas em espaços como ambientes estudantis, de saúde, lazer, dentre outros.

O professor Jodoval Farias da Costa, 44 anos, tem cegueira bilateral. Ele avalia que, apesar de, segundo ele, ainda existir certo tabu sobre sexo e pessoas com deficiência, é preciso avançar nas estratégias de comunicação que chegam a quem tem os diferentes tipos de necessidades especiais. O uso das tecnologias no acesso à informação, diz ele, poderá trazer resultados favoráveis.

“O senso comum passa a impressão de que as pessoas com deficiências não teriam o mesmo impulso sexual das outras pessoas. Mas isso não é verdade, porque as pessoas não deixam de ser pessoas por conta da deficiência. E isso é importante trazer para a discussão com as famílias, profissionais, etc.”, disse o educador.

A agente comunitária de saúde Rute Helena Monteiro também destacou a importância de levar até espaços onde pessoas com deficiência convivem orientações e políticas que garantam prevenção e a saúde sexual.

“O workshop é primordial, estamos ampliando nossos conhecimentos e a nossa abordagem com relação a esse público. Estamos aprendendo sobre como podemos falar de um tema que é um tabu ainda para eles”, complementou.

O enfermeiro Vencelau Pantoja, da coordenadora Estadual IST/HIV/Aids Hepatites Virais da SVS, é especialista em sexualidade humana. Ele deu exemplos de ferramentas que podem ajudar na educação em saúde do segmento.

“Produzir materiais adaptados à compreensão das pessoas com deficiências, como folders na versão braile, podcasts com informações sobre prevenção, facilitando o acesso dos cadeirantes aos dispensadores existentes, colocando numa altura que eles consigam acessar. Outra questão importante é capacitar os profissionais de saúde em libras para que possam repassar as informações para a pessoa com deficiência e tenham segurança, tanto na compreensão das demandas quanto no repasse das informações. Esses são exemplos práticos que efetivamente vão impactar na sensibilização desse público para que tome medidas de prática sexual segura”, concluiu.

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Créditos:

Carlos Cardozo

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